No âmbito das celebrações do 150.º aniversário da fundação da Companhia de Santa Teresa de Jesus, realizou-se, de 26 a 30 de junho, na Casa Geral de Saragoça, o Encontro do Governo Alargado da Congregação.
A reunião começou com um momento de oração e de ação de graças pelo ano jubilar vivido até agora e, em particular, pela peregrinação realizada a Tortosa, Montserrat e Tarragona, locais profundamente ligados à origem da Companhia. Ao longo deste primeiro dia, as participantes partilharam os frutos desta experiência nas suas respetivas províncias, bem como os sinais de vida, esperança e renovação que perceberam durante estes meses de celebração.
A irmã Teresa Katumbu animou este primeiro momento com uma dinâmica de conversa espiritual que ajudou a identificar aquilo que o Espírito Santo continua a inspirar na Companhia e que precisa de ser acolhido e cuidado como parte do caminho comum, bem como as dificuldades que precisam de ser abordadas com um olhar voltado para o futuro.
À tarde, dando continuidade ao trabalho, a Irmã Clarice Suchy convidou-nos a retomar o documento «Enfrentar juntas o futuro. Orientações e critérios para o discernimento», na sua versão final que incorpora os contributos das equipas de governo das províncias.
Durante o segundo dia, a atenção centrou-se na formação inicial na Companhia. As irmãs Ângela Cuadra e Guadalupe Hoyos partilharam a sua experiência nos primórdios da comunidade de Cochabamba, na Bolívia, que acolherá o juniorado continental da América. Entregaram, para estudo e avaliação, o documento preliminar dos estatutos do juniorado continental da América, que reúne a finalidade, a organização e o regulamento de funcionamento deste espaço formativo na etapa do Juniorado. Os estatutos expressam também os valores e princípios a partir dos quais concebemos este espaço: a interculturalidade, a corresponsabilidade, a missão, a cultura do cuidado, o discernimento, a aposta na qualidade formativa, bem como a sustentabilidade e a solidariedade entre províncias.
Em seguida, a Delegada Geral de Formação, a irmã Guadalupe Hoyos, apresentou o Programa Internacional sobre Identidade Carismática para as irmãs com votos temporários de África e da América. A jornada permitiu dialogar sobre os seus objetivos, conteúdos e calendário. Durante a reflexão, foram surgindo novos desafios que exigem continuar a avançar no discernimento e na concretização do programa. Da mesma forma, foram apresentados os desafios de cada etapa da formação inicial na Companhia e o número de jovens e irmãs que se encontram atualmente nas etapas de pré-noviciado, noviciado e juniorado em cada continente.
O terceiro dia foi dedicado a uma reflexão sobre algumas inquietudes ou preocupações relativas à realidade da Companhia que nos preocupam devido ao seu impacto e desgaste em alguns locais ou grupos de irmãs. A partir da metáfora do icebergue, a irmã Pilar Liso orientou a dinâmica e a conversa através de perguntas que ajudaram a identificar:
- O que vemos (observável)
- O que se repete (padrões)
- O que nos sustenta (estruturas)
- O que nos habita e nos move (crenças)
As irmãs aprofundaram a necessidade de olhar para a realidade sob uma nova perspetiva que favoreça a mudança e a renovação de que necessitamos para sermos fiéis à vocação recebida.
Na reta final do encontro, o quarto dia foi marcado pela análise do impacto do CIT «Em missão com outros e outras», realizado em maio, em Porto Alegre, no Brasil. A partir desta experiência, dedicou-se algum tempo a retomar a reflexão em torno da liderança transformadora e fomos convidadas a tomar consciência da nossa forma de viver a liderança e de enfrentar a incerteza no serviço de governo.
À tarde, voltámos a recordar o modelo de rede da missão da Companhia a partir do propósito comum de possibilitar uma convivência transformadora para uma vida digna, como resposta que abrange e dá um horizonte aos desafios do XVIII Capítulo Geral. A ligação virtual com Marcelo Manucci, assessor que acompanhou a metodologia do CIT, ajudou-nos a estabelecer um diálogo de esclarecimentos e orientações, tendo em conta que, para transformar o presente, é imprescindível renovar a aspiração para o futuro.
A última jornada, orientada pela irmã Ângela Cuadra, coordenadora geral, foi dedicada a consolidar vários diálogos das jornadas anteriores: a formação na identidade carismática, a constituição da equipa de facilitadoras para a rede da missão e o olhar para o futuro da Companhia a partir da verdade e da esperança. Foi também dedicado algum tempo ao diálogo sobre a Reunião Intercapitular, com o objetivo de continuarmos a traçar juntas o futuro da Companhia.
Ao longo dos cinco dias, a irmã Guadalupe Hoyos, à luz da encíclica Magnificat Humanitas, propôs um percurso espiritual e comunitário que ajudou a centrar o olhar em quatro eixos: o valor e a dignidade da pessoa, a comunhão como escolha, a corresponsabilidade como missão e a esperança como horizonte.
Como equipa do Governo Alargado, fazemos eco a estes momentos de oração diária a partir da nossa responsabilidade de acompanhar processos, apoiar comunidades, discernir caminhos para o futuro e cuidar da vida que nos foi confiada.
Daqui, as irmãs do Governo Alargado agradecem as orações e a proximidade de todas as irmãs que acompanharam este encontro, vivido como uma experiência profunda de discernimento partilhado, de busca conjunta e de esperança para a vida e a missão da Congregação.
Partilhamos algumas fotos do encontro.